Edições Vercial

  • Na Memória das Estrelas sem Brilho, conta-se a história de um estudante universitário que é obrigado a interromper o curso para comandar um grupo de expedicionários que o governo português em 1917 enviou para as trincheiras da Flandres. A sua trajectória e a dos homens que comanda, nas pequenas e grandes misérias de que foram vítimas e na ligação ao que deixaram e ao que perderam, resulta num retrato emocionante e autêntico de um dos períodos mais conturbados da sociedade portuguesa. Romance de guerra, mas também romance de amor, Memória das Estrelas sem Brilho relata a tão inútil quanto obstinada busca da paz e da felicidade através de um caminho de escombros e flores cortadas, capacho do tempo e dos seus caprichos. Afirma o crítico Milton Azevedo que, «além de seu valor literário como narrativa de ficção propriamente dita, constatável à primeira leitura, o romance tem grande interesse como retrato da sociedade portuguesa, que forma o background da narrativa. O narrador, homem de seu tempo (ou tempos) e classe social, tem uma visão tão nítida da sua sociedade quanto é possível esperar de alguém que nunca pôde sair dela para observá-la de fora. É, portanto, uma visão naïve, informada apenas por elementos colhidos dentro daquela sociedade. Mas é uma visão arguta, porque o narrador é um indivíduo inteligente e lúcido. E complementada, é claro, pela visão, indirectamente transmitida ao leitor, do Rato, que é um verdadeiro co-protagonista (e não apenas um sidekick) - um pouco, mutatis mudantis, como Sancho Pança, sem o qual o Quixote ficaria impensável.»

  • O padre da Gralheira aparece morto na cama em Dezembro de 1943. O sacristão chama o regedor, autoridade policial da freguesia, que toma conta da ocorrência. Este procede a uma série de averiguações que vão fazê-lo ponderar na hipótese de se tratar de um crime. Vem a saber que o clérigo tinha como amante uma mulher casada. O marido, um rico proprietário que frequentava amiúde um bordel, poderia tê-lo mandado matar por despeito. Tudo se complica, porém, quando o regedor descobre que o clérigo era receptador do volfrâmio roubado da mina explorada por uma companhia alemã e suspeita que o crime, se o houve, não fora cometido por questões de honra, mas por dinheiro. Entretanto, luzes estranhas vistas durante a noite adensam um mistério que vai sendo mal interpretado. Sobre a aldeia, retrato de um país atrasado e rude, paira a ameaça da guerra. A ela se devia a periclitante situação económica vivida pelos mais pobres, com o racionamento dos produtos essenciais, as requisições obrigatórias das colheitas pelo Grémio, a revolta das populações e a repressão do governo. A ex-amante do padre, carioca transplantada para os nevoeiros da Gralheira, dá um ar de graça à história, vivendo amores, incentivando-os e protegendo-os. É ela a verdadeira heroína, que contrapõe o amor à guerra e aos interesses mesquinhos dos homens. Este é um romance de mistério, onde afinal o único mistério, num confronto directo com a literatura da moda, é não haver mistério nenhum.

  • Portugais O Mar de Paula

    Jorge Tinoco

    «Observo ao longe no horizonte, para lá do papel, as pequenas silhuetas dos barcos que partem e me interpelam dos tantos portos que existem depois do que não podemos ver ou entender perenemente, depois do que não sabemos definir como ausência ou persistência, como voz perceptível de povo indígena ou gente mítica. De forma que experiencio, como que outra vez numa só vez, as mil vezes diferentes em que fui feliz aqui, nesta verdade enredada ou neste enredo da verdade, junto às ondas que nunca se interrogam se são água ou maré ou espuma ou loucura ou invenção... Que me importa então o que sou, se tenho, ainda que transitória ou volátil, esta ciência sabida de que só a falta de amor e companhia nos assombra e adoece, nos atribula o vazio que em lugar de sentir interroga em demasia a intensidade do abraço? Que me importa, pois, quando por outras palavras o repito que, mesmo que eu fosse ficção, esta experiência da mulher e do afecto me bastaria para justificar a criação da vida? Por isso é apenas novamente o mar de Paula que revejo a esta hora bendita das gaivotas sobre as rochas! E, no outro lado de tudo, na outra metade do nada: o que será Susana, o que serão as miúdas, o que será Paula, o que serei eu, o que serás tu, o que seremos todos no coração dilacerado dos capítulos, no ventre insondável das páginas?»

  • A Planta Carnívora é a continuação do romance O Cavaleiro da Torre Inclinada (2009). Neste segunda parte, o protagonista, Marco Túlio Ferreira, professor da Universidade D. Dinis, separa-se da esposa e vai viver sozinho. Esta reconhece que a separação, baseada num adultério de que não tem provas e numa gravidez inexistente, foi precipitada e procura convencê-lo a regressar a casa. Ele, no entanto, adia a decisão e envolve-se em duplas e triplas aventuras amorosas que lhe complicam a vida. Além da brasileira Dulce Nara que surge na primeira parte, aparece uma austríaca especialista em plantas carnívoras, uma professora de História Medieval que gosta de "heavy metal", duas novaiorquinas que praticam o "swing" e uma freira com dúvidas. Este romance é um testemunho realista e sardónico da universidade portuguesa - espelho da sociedade atual -, ignorante, pretensiosa, sem referências, sem escrúpulos, sem moral e sem vergonha.

  • Esta colectânea de contos infantis contém seis histórias: O sapo envergonhado, que dá o título à obra; - O galo que desejava correr mundo; - A bruxa e o caldeirão; - A vendedora de cebolas; - A princesa feia; - e O príncipe do Reino Estranho. São histórias baseadas nas personagens dos contos tradicionais, onde fadas, bruxas, reis, príncipes, princesas e animais se encontram em mil e uma trapalhadas que fazem as delícias das crianças. A primeira começa assim: «Era uma vez um sapo que vivia no seu charco feliz e despreocupado. Tinha o seu nenúfar particular, onde se postava a apanhar banhos de sol e a comer moscas que distraidamente violavam o seu espaço aéreo. Uma vez por outra, partilhava o nenúfar com uma fêmea do charco. Coaxava a tarde toda para ela e oferecia-lhe as moscas varejeiras mais suculentas que conseguia caçar. A fêmea ficava encantada e agradecia-lhe com um piscar de olhos e um coaxar lento e sedutor. Era uma bela vida. Mas um dia a paz terminou».

  • In his book «The Study Of Ancient Times In The Malay Peninsula», Dato Sir Roland Braddell (1880-1966) writes, «No statement could be more untrue or more unwise than that Malaya has no history». This dense work of 458 pages (reprinted edition no. 7 by MBRAS in 1989), from Dato Sir Braddells's studies appearing in the «Journal of Asiatic Society», between 1935 and 1951, is followed by 50 pages of notes on the historical geography of Malaya and sidelights on the Malay Annals by Dato F.W. Douglas, a contemporary of Braddell. Sir Roland examines the book VII of «Ptolemy's Geographica» written about 160 AD, which sends us back to the land of Ophir of the Bible, also called «Golden Chersonese», where gold of higher purity had already been found around 3000 years ago in today's Pahang. As to the human presence, the «Malay Orang», «being an islander», (he) was able to sail the Eastern seas long before the people of the mainland could; and by such contacts achieved a higher state of civilization: he took the products of this area, gold, incense, spices and the Malayan jungle fowl with him and then the people of other countries came here», according to F.W. Douglas in the conclusion of his foreword, dated 15.1.1949. Malays are therefore inborn sea traders.

  • Portugais Sermões

    Padre António Vieira

    O volume, com o texto atualizado segundo o Novo Acordo ortográfico, contém os seguintes sermões do Padre António Vieira: Sermão da Sexagésima; Sermão da Quarta-feira de Cinza; Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma; Sermão da Quinta Dominga da Quaresma; Sermão de Santo António; Sermão de S. Pedro; Sermão de Santo Inácio; Sermão do Bom Ladrão; Sermão do Nascimento da Virgem Maria; Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus; Sermão dos Bons Anos; Sermão do Mandato; Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda; Sermão da Primeira Dominga do Advento - I; Sermão da Primeira Dominga do Advento - II.

  • "O Cavaleiro da Torre Inclinada", com o subtítulo de "Cenas da Vida Académica", conta as aventuras de um professor a trabalhar numa hipotética universidade portuguesa. Os académicos são, como ele próprio refere, os novos cavaleiros da era moderna. «Assim como os cavaleiros da Idade Média, paladinos da virtude, andavam de terra em terra castigando pelo fio da espada os vilões e os arrogantes, assim nós, paladinos da ciência, andamos de congresso em congresso divulgando o conhecimento e denunciando os charlatães», diz ele a um dos seus colegas. O professor, especialista na história do adultério, vai implementando na sua vida de novo cavaleiro andante os conhecimentos adquiridos. O relacionamento que mantém com colegas espanholas, belgas e brasileiras leva, de uma forma profícua e salutar, ao intercâmbio do saber e ao avanço da ciência. Escrito num tom divertido, mas bastante realista, O Cavaleiro da Torre Inclinada é um romance que retrata a universidade portuguesa, ou pelo menos uma parte dela, e denuncia a praxis de tradição medieval e inquisitorial que faz dela uma das mais retrógradas da Europa.

  • "Jardim sem Muro" é uma colectânea de dezanove contos. As personagens baseiam-se nalguns dos tipos da sociedade portuguesa actual, aparecendo vendedores de automóveis em segunda mão, comerciantes de tintas e vernizes, empreiteiros, serralheiros, canalizadores, carpinteiros, electricistas, professores do ensino secundário, funcionários das Finanças, estudantes de Psicologia, reformados, emigrantes, agentes de segurança, viciados na Internet, coleccionadores de selos e moedas, especialistas em ciências ocultas, frequentadores de casas de alterne e respectivas funcionárias. Os políticos, por evidente falta de utilidade na sociedade, são das poucas figuras com que o autor não perdeu tempo nem gastou papel. Os contos, escritos num tom divertido, deixam transparecer o sorriso sarcástico de Eça de Queirós e o piscar de olho malandro de David Lodge.

empty